sexta-feira, 31 de julho de 2009

Beijo



Beijo


Beijo que me roubou a calma
Trouxe frio e me levou a alma

Beijo pode dizer amor
Mas também pode causar dor

Beijo pode querer matar
E agora fez meu coração sangrar

Hoje não sei se o beijo quero guardar
Mas dos teus lábios vou sempre lembrar



Dryca, 2009

sábado, 11 de julho de 2009

Coringa



Hoje nesse dia eleito especial por ser seu aniversário, pensei em diversas coisas que gostaria de te falar. Gostaria de ser original, dizer-lhe algo que ainda não foi dito, ou quem sabe ainda não escrito. Nossa que ousadia minha! Tentar superar os artesões das palavras, os arquitetos da literatura, os fingidores das emoções, nossos amados poetas... Não. Não poderia fazê-lo. Existem ocasiões na vida em que o discurso inteligente é verdadeiramente inútil, não poderia abrilhantar ou substituir um gesto poético.


Então deitei os olhos em cenas comuns do nosso cotidiano, coloquei o filtro da arte nos nossos pequenos momentos e pude perceber que mais que um espaço de vida, existia ali um encontro.


Segundo Martin Buber, toda verdadeira vida é encontro. A metafísica da amizade, o encontro do eu e o tu, é o nascimento do nós. Lembro da leveza que impera, o diálogo, fruto amadurecido de nossa intensa convivência, às vezes metáforas, às vezes músicas, às vezes vinhos, às vezes poesia, às vezes silêncio. Gestos marcantes que extrapolam o tempo e o espaço de nossos corpos e que fecundam meu pensamento agora.


O que há de mais precioso nesta vida costuma ser vivido e experimentado a partir do silêncio frutuoso, aquele momento onde só cabe olhar os teus olhos e apreciar o perfume de tua alma. Olhar em silêncio os teus olhos e vê o profundo que há em ti, é amar o bom e o belo, assim como queria Aristóteles.


Hoje no banquete da vida, ao estar com os que amo, de alguma forma eu os trago para dentro de mim. A alegria de tê-lo em minha vida é visceral, é algo que me pertence, que nasce nas minhas entranhas e enche meu peito de júbilo, me torna melhor e capaz de apreciar a vida com uma disposição infinita de realizar sonhos. O invólucro espiritual que nos sutura nos socorre do esquecimento. Temos esse poder. O poder de dar significado às pessoas que elegemos sagradas em nossas vidas. Tu és significado e significante em mim. Não são só palavras, ou escritos, são retratos de momentos felizes, de sorrisos largos, frases sutis, de verdades cruas, pois não são perfeitos, por isso são momentos e sentimentos reais.


Tens o poder de me devolver pra mim, situações cotidianas onde sem perceber tens a minha posse. O que posso te dizer hoje, não consigo traduzir em palavras, eu só sei sentir...


Feliz aniversário. Beijos.

Dryca.

sábado, 4 de julho de 2009

A força do amor




A força do amor


Quem pensa que a felicidade está em receber o amor de alguém se engana. Amar traz muito mais benefícios do que ser amado. Amar ensina a multiplicar gestos e emoções, amigos e momentos felizes. Na hora em que amamos, somos tomados por uma energia poderosa, que nos enche de entusiasmo, de alegria, de criatividade, de generosidade. Amar é doação. Amar faz de nós pessoas melhores, nos torna capazes de apreciar a vida, habilidade que não perdemos nem se formos abandonados.
O discurso que diz: “Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor” Também quer dizer: ”Ah como eu queria ser amado”. Algumas pessoas não conseguem assumir essa fragilidade, necessidade de cuidado e de cuidar também.
Se tu acreditas que a felicidade está no ato de receber do que no gesto de dar amor engano seu amigo, pois as delicias de amar superam as de ser amado. Ser foco do amor de alguém é muito bom, mas tem mais a ver com uma posição passiva, uma satisfação vaidosa, uma felicidade que vem de outro e dele depende. Dessa forma só poderemos ser felizes na presença do outro.
A alegria de ser amado não é plena, não é visceral. Já o amar é algo que nos pertence, que nasce em nossas entranhas e nos enche o peito de um jubilo transbordante, que ativa nossas moléculas em direção ao ser amado, que provoca uma alegria que nasce e mora em nós mesmos, que nos torna melhores, mais capazes de apreciar a vida, mais generosos, com disposição infinita para viver e realizar.
Ser amado é um empréstimo; amar é um capital. Quando o amor pelo outro nasce de nós ele transborda para o mundo. Contagia os que estão à volta e a leveza impera no espaço que habitamos. Quando sou amado, meu viço depende do outro. Quando amo, ele depende de mim mesmo. Amar nos torna mais fortes, plenos e criativos, leves, harmônicos em gestos e palavras. Às vezes nos tornamos ate poetas.
Quando somos correspondidos, o amor que já existe em nós se torna ainda mais pujante. Sentimento avassalador. Mas lembre-se que não vale à pena amar quem não nos ama, mas também não é suficiente amar só porque somos amados. E preciso que o amor parta de nós. Assim, a capacidade de sermos alegres, vivermos criativamente, sentirmo-nos felizes se mantém latente. Ainda que hiberne por um período, ainda que não exista alguém especial nesse momento, mais cedo ou mais tarde esse sentimento acordará, e toda essa energia fluirá ao teu redor. Todo mundo quer ser amado, mas o prazer de amar é muito maior.
Nos versos de Nahman Armony, temos essa dimensão divina.

“Eu amo
E ao amar posso amar mais ainda
Posso estender meu amor em comprimento e profundidade
Sem deixar de amar a quem amo”

O que posso dizer mais diante da plenitude da beleza expressa em tão lindos versos...



Dryca, 2009.